O estômago roncando e a cabeça rodando. Gabriela levantou e começou a se vestir. Saia preta meio curta com babados, uma meia 7/8, uma bota de couro bico fino, uma camisa social e um sobretudo marrom-escuro. Desceu as escadas e entrou na cozinha em direção à geladeira. O bolo de chocolate serviu bem como a glicose que seu corpo pedia.
Suas pernas pareciam ter vida própria. Apenas quando elas pararam em frente a uma casa foi que ela conseguiu saber onde estava. Thomas, o destruidor de sua vida e o salvador também. E assim, com a vontade imensa de voltar mas sabendo que não tinha um lugar para ir, ela tocou a campanhia.
- Olá, o Thomas está?
- Sim, ele já vem... Qual seu nome?
- Gabriela, e o seu? – Não houve resposta. A garota entrou com um ar irado na casa e Thomas apareceu pouco tempo depois.
- Quem é ela, Thomas?
-A namorada do Daniel. Agora sim, Gabes, agora sim você está encrencada.
Se Gabriela estava no inferno, Liliane era o diabo. Um diabo com o corpo delgado, curvas sinistramente perfeitas, uma cor pecadora altamente sedutora e lábios, finos, firmes, mas perfeitos.
- G - A - B - R - I - E - L - A. Você ficou famosa. – Liliane tinha os olhos do juízo final. Cada palavra saía como a última que Gabriela escutaria em vida - Você prefere ser odiada ou ignorada?
- Ei! Espera aí! Eu nem te conheço! – Gabriela não sentia verdadeiramente seu corpo, as palavras saíam sem serem pensadas e analisadas.
- Ah! Vai me dizer que o Thomas não te falou, é? - O tom de Liliane era extremamente rude, o que fazia imperar no ambiente algo pesado - Thomas, entre. Eu não vou matá-la.
- Thomas, não me deixe aqui com ela! - suplicou Gabriela - Fique!
- ENTRE - mandou Liliane.
Gabriela não podia acreditar. Seu melhor amigo, Thomas, estava contra ela. Thomas sempre resolvia tudo. A amizade deles começara em uma rodada de truco, no andar abandonado do shopping ao lado da escola. Ele no 2° ano, ela na 6° série. Alguns amassos por causa de um jogo da verdade. Ele sempre estava por perto quando Gabriela precisava. O primeiro beijo foi o dele. O consolo pela perda do primeiro namorado, e do segundo, e do terceiro. A primeira vez fora com ele, a segunda também. Os dias mais tristes eram compartilhados com ele, os mais felizes, os mais insanos, os mais normais. A vida de Gabriela sem Thomas era nada. E ele a traíra. Tudo que ela queria naquele momento, era morrer.
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