- Você não é muito inteligente, garota – zombou Liliane.
- Isso não é da sua conta – disse Gabriela levando as mãos a cintura e elevando um pouco o tom de voz.
- Se jogar encima do meu namorado foi um erro. Não que isso interfira em alguma coisa, mas tentar beijá-lo a força e tirar metade da roupa na frente dele não foi uma atitude muito inteligente.
- Eu... Eu não sabia que ele tinha namorada... – disse a garota se sentindo quente.
- Querida, Thomas estava lá, Daniel te alertou muitas vezes e você não estava tão bêbada assim.
- Tá, você está certa e eu errada, por favor, eu não tenho onde dormir hoje a noite, deixa eu entrar e falar com o Thomas...
- Eu não vou te impedir, a casa não é minha. Mas eu te dou um conselho: Não tente vir atrás do Daniel, não tente mudar por ele. Se você não acredita em alma gêmea, comece a acreditar, eu e ele somos uma. Se você acredita no romance dos livros, desista. – Liliane encarou Gabriela com toda a repugnância com que se olha pra uma barata – Olhe só para você, uma garotinha mimada que curte funk e adora se exibir para qualquer um que passe. Acha que cortar e pintar o cabelo vai adiantar? Será que tem alguma coisa que preste em você?
Liliane tinha razão, nada prestava em Gabriela. Não adiantava cortar o cabelo, jogar as lentes fora, parar de ouvir suas músicas. Havia um desafio maior. O interior dela precisaria mudar, toda uma vida de paparicos e realidade fantasiosa precisaria ser esquecida. E ali, no meio da rua, chorando e vendo Liliane ir embora, Gabriela cortou a mão em um formato de uma cruz pequena e fez um pacto consigo mesma: Eu mudarei. Serei o que Daniel deseja até que a alma dele se junte a minha.
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